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    Argentina

 

Com Alberto Fantini

É necessária uma política
de Estado para o setor

 

Fantini é o secretário-geral da Federação Gremial dos Trabalhadores na Indústria de Carnes e seus Derivados. Conversamos com ele sobre a situação do setor frigorífico e suas implicações para os trabalhadores.

 

-Qual é a situação no setor de frigoríficos?
-Os trabalhadores estão muito preocupados, porque temos cerca de 8 mil companheiros com redução da jornada de trabalho, recebendo um piso salarial que representa cerca de 140 horas mensais.

 

Essa é a realidade do momento, e estamos esperando que o governo nacional tome algum tipo de resolução para que, já que não temos trabalho, seja concedido algum subsídio aos trabalhadores.

 

-A federação está mobilizada...

-Há uma semana fizemos uma mobilização em massa. No dia 24 de abril passado, cerca de 5 mil companheiros da indústria frigorífica saíram às ruas e fizeram uma manifestação em frente ao Ministério do Trabalho da Nação.

 

É uma situação muito difícil, porque a Argentina tinha o maior consumo de carne per capita do mundo -71,73 kg/ano-, e agora são apenas 60 kg/ano.

 

-Houve uma queda no abate?
-Uma queda de mais de 30 por cento. Em todo o país, de 55 mil cabeças abatidas por dia passamos para 35 mil cabeças. Alguns empresários ainda não sentem os prejuízos porque estes foram recuperados, em parte, pelo aumento dos preços, mas para os trabalhadores esses 30 por cento a menos são muito mais sentidos.

 

-Quais são as exigências da Federação?

-Em primeiro lugar, queremos trabalho e, até que isso não seja resolvido, é preciso ver como os trabalhadores serão subsidiados. Propomos ao Ministério que as 140 horas de garantia salarial não são suficientes e que precisamos de um piso salarial que esteja mais próximo ao salário que recebíamos quando trabalhávamos normalmente, isto é entre 2.400 e 2.500 pesos argentinos (NR: de 618 a 644 dólares respectivamente).

 

Depois da mobilização, chegamos a um acordo com o Ministério do Trabalho, que se comprometeu a fazer um diagrama de como chegaremos a isso, se por meio de um decreto ou de outro instrumento. Mas a verdade é que, até agora, não tivemos nenhuma resposta.

 

Os trabalhadores estão recebendo 30 por cento menos há três meses e, se não há pecuária, isto só tende a piorar.

 

-Onde é que estão as soluções?

-Em projetos políticos mais duráveis, no lugar dessas soluções “tapa buraco” que surgem a cada seis meses. Precisamos de uma política que atenda a todas as partes: pecuaristas, empresários, trabalhadores, uma política de Estado que dure mais que o governo de plantão.

 

Sempre nos gabamos de ter a melhor carne do mundo; o nosso país é conhecido pelo Maradona ou pela carne. É incompreensível que estejamos nesta situação.

 

-Os problemas deste setor estão aumentando ano a ano ..

-Sim, a aftosa, a seca, os problemas com os animais, a vaca louca, a greve nos campos, o fechamento das exportações e são os trabalhadores que sempre acabam perdendo, por isso temos que nos cobrir com políticas claras e de longo prazo.

 

-Você se lembra de alguma situação similar a esta?

-Não. Assumi a Federação há três anos e tive a má sorte de passar por tudo de pior. Primeiro, porque a organização estava em ruínas, não participávamos nem da CGT, nem da CASIA e nem da UITA. Por outro lado, toda esta situação vivida pelo setor, que eu acabei de mencionar.

 

O que devemos ter em mente é que o trabalhador e a trabalhadora da carne são mão-de-obra qualificada. Para trabalhar nos frigoríficos é necessário um trabalhador especializado. Perder a oportunidade que este país tem, fortemente pecuarista, com toda esta capacidade, é um absurdo, um contra-senso.
 

Em Buenos Aires, Gerardo Iglesias

Rel-UITA

10 de mayo de 2010

 

 

 

 

Fotos: Gerardo Iglesias e FaenasTV

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